O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou, pela primeira vez desde 2006, um relatório completo sobre a economia da China, depois de anos em que o país asiático vetou a divulgação. O documento revela algumas divergências com as autoridades de Pequim, mas mostrou também que o Fundo fez algumas concessões, baixando o tom das críticas à política cambial chinesa.
O FMI resolveu não classificar o yuan de ?substancialmente? desvalorizado, reconhecendo assim os esforços da China de liberar a variação de sua moeda e evitando também fricções com um de seus mais influentes países membros.
O relatório omitiu a palavra polêmica, que vem sendo usada pelo diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn.
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?Isso reflete um abrandamento da posição do conselho em relação ao ajuste necessário no regime cambial chinês?, disse Eswar Prasad, economista que já fez parte do FMI e é atualmente pesquisador do Brookings Institution, em Washington. Ele afirma que isso já se reflete nas declarações do Fundo desde a reunião do conselho no início da semana.
O informe divulgado ontem, cujas grandes linhas foram reveladas nos últimos dias, foi feito pela missão de avaliação da economia chinesa dentro do artigo IV da carta do FMI, que prevê consultas anuais entre o Fundo e os seus membros.
A publicação significa que o governo chinês deu sua autorização para que fosse divulgado, ao contrário do ano anterior. A última publicação de um informe de missão do FMI sobre as consultas do artigo IV remonta a outubro de 2006. Tais discussões não ocorreram nem em 2007 nem em 2008.
Vários dos 24 membros do conselho executivo do FMI acreditam que a moeda chinesa está muito baixa. Mas outros disseram que a redução estrutural do superávit de conta corrente já está ocorrendo graças aos incentivos ao consumo.
O FMI disse que um yuan forte é do interesse da China porque irá elevar o lucro dos residentes, fortalecer o consumo e encorajar uma reorientação dos investimentos. Por fim, ?irá conduzir ao reequilíbrio da economia chinesa?, disse Nigel Chalk, chefe da missão do Fundo na China. Ele não disse sobre qual margem baseou sua avaliação, mas observou que tem centrado atenção aos números relativos à conta corrente.
Apesar da queda recente no superávit em conta corrente da China, o FMI prevê um aumento para 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos cinco anos, com base nas políticas já implantadas e anunciadas pelo governo. ?Consideramos que não é coerente com uma economia reequilibrada. Ainda é preciso mexer na taxa de câmbio?, observou Chalk.
As autoridades americanas têm observado a taxa de apreciação da moeda chinesa anterior à crise financeira. Veem nesse movimento um indicador do que seria esperado da China, em termos de porcentual de elevação no valor da moeda. Antes da crise, o yuan registrou valorização de aproximadamente 20% em relação ao dólar em um período de três anos. Desde o anúncio de junho, o yuan registrou apreciação inferior a 1%. |